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Freud, na divisão topográfica do cérebro, estabeleceu as seguintes estruturas: Ego (Eu), INCS (Isso), Superego (Supereu). O Ego (Eu) se define como uma pequena porção de nosso encéfalo e totalmente consciente, estrutura responsável pelo princípio da realidade, ou seja, aquilo que posso ver, sentir, tocar e perceber. Já a maior porção do encéfalo e totalmente inconsciente, que por sua imensidão ele a comparou com o oceano, denominou de Isso ou Inconsciente, estrutura impulsora do princípio do prazer, ou seja, tudo que nos dá prazer vem do inconsciente. É por isso que muitas vezes realizamos algo que desejamos muito, e logo em seguida somos tomados de terrível arrependimento, e/ou culpa pelo ato em si. Uma outra estrutura estreita, localizada entre o consciente e o inconsciente, onde a metade é consciente e a outra metade inconsciente, ele a denominou de Superego ou Supereu, que também chamou de sensor, ou limite, estrutura responsável pelos nossos "valores, princípios morais, religiosos e éticos". Durante o dia, o princípio do prazer e o sensor travam constantes conflitos. É um querendo ter prazer a todo custo, e o outro proibindo e condenando através de diálogo interno, lançando por exemplo indagações: "o que vão pensar sobre isso?", "isso é pecado!", "isso é um crime!"; e outras cobranças. Como mediador desse conflito, está o Ego (princípio da realidade), que mantém o equilíbrio entre essas estruturas. Mas quando chega noite, o Ego, estrutura consciente, sai de sena. A parte consciente do Superego (sensor) também sai de sena. Só ficando a estrutura inconsciente, ou seja, o princípio do prazer, que, através do sonho, realiza todos os desejos inconscientes e resíduos diurnos. São considerados resíduos diurnos as coisas não realizadas durante o dia. E ainda os recalques (traumas), que são responsáveis pelos pesadelos e sonhos penosos. E dessa forma se explica o porquê de alguns sonhos, que muitas vezes deixam as pessoas confusas e perguntando a si mesmas os motivos de ter sonhado aquilo, pois em seu estado de vigília não seria capaz de realizar tal façanha, por medo, culpa ou princípios morais e religiosos. A função fisiológica do sonho é a de evitar que sujeito se desestruture psiquicamentente. Dessa forma, durante a noite, a pessoa sonha várias vezes enquanto dorme, porém se lembra apenas de um dos sonhos. Quando uma pessoa diz que não sonha, na verdade deveria dizer que não lembra, pois, se observar bem, por várias vezes em sua vida acordou com determinada alegria e satisfação, dizendo não sei porque, mas hoje estou tão bem. Por experiência profissional, afirmo que este esquecimento se dá pelo fato de que se a lembrança for causar sofrimento à pessoa, por seus princípios éticos, morais e religiosos, o Ego entra com seu famoso mecanismo de defesa, pois a função do sonho é a de evitar a desestruturação psíquica e não a de causar sofrimento.
Ainda quero colocar a existência dos sonhos premunitórios ou clarividentes. Para defini-los, é necessário um rígido controle por anotações e comparação com os acontecimentos em relação ao material sonhado. Caso contrário, é mera coincidência e deverá descartá-lo como premunitório ou clarividente. Por outro lado, uma vez confirmado serem estes sonhos premunitórios, deverá a pessoa procurar um parapsicólogo, pois assim estaria evitando que venha a entrar em desequilíbrio psíquico. Já atendi vários casos em que a pessoa portadora desse fenômeno sente-se responsável por evitar uma tragédia com a pessoa com quem sonhou, pois nestes sonhos a pessoa relata ter sonhado claramente detalhes do acontecimento e, em prantos e descompensada, diz que tinha a obrigação de ter evitado aquele fato.
Traumas e sintomas:
O trauma é uma dor psíquica sofrida por uma ameaça ou agressão, tanto no campo físico como psíquico, podendo ser uma perda (luto), uma separação de um objeto de amor. Por objeto de amor se entende tanto um ser humano, como um animal de estimação, ou mesmo um objeto ou coisa, já que há pessoas que valorizam mais as coisas do que as pessoas. Diante do trauma, a dor psíquica permanece por vários dias, deixando a mesma em total desequilíbrio. E se permanecer no consciente (Ego), a pessoa pode até mesmo enlouquecer. Como sabedoria da natureza humana, o Ego (princípio da realidade) entra com os famosos mecanismos de defesa, jogando a lembrança dolorosa para o inconsciente em forma de esquecimento, e criando uma barreira energética chamada de recalque. Porém essa barreira é vulnerável para segurar o trauma em forma de esquecimento. Dessa forma, o trauma ameaça romper a barreira (recalque) e voltar a incomodar a pessoa. Diante dessa ameaça, o Ego entra com outro mecanismo de defesa chamado resistência. Agora com essas duas barreiras energéticas, o recalque e a resistência, o trauma já não mais ameaça romper as barreiras. Mas ele burla as duas barreiras, vindo em forma de disfarce, e continua a incomodar a pessoa. O disfarce do trauma é o sintoma: a ansiedade, a angustia, os medos. Mas são aqueles medos que não representam ameaças a pessoa, ou seja, os fóbicos. A tristeza, mas aquelas não autênticas, ou seja: estou triste, mas não sei por quê. Manifestam-se também pela timidez, insegurança, medo de dirigir etc.. Tomando o exemplo do medo de dirigir, podemos afirmar ser um disfarce, pelo fato de que o simples ato de dirigir não representar ameaça real de morte ao motorista, e sim a negligência de um ou do outro no volante, podendo ainda levar em conta as variáveis ambientais, geográficas e condições da estrada. Para que vocês tenham uma compreensão destes mecanismos de defesa, o princípio da realidade (consciente), hipoteticamente seria duas pessoas que estão reunidas em uma sala, tratando de um assunto importante, quando repentinamente entra uma pessoa alcoolizada, ou delinqüente (trauma), dessa forma ameaçando o curso da reunião, e até mesmo os componentes da mesma. Neste momento o delinqüente é jogado para fora da sala, e se fecha a porta, barreira energética (recalque). Neste instante, o trauma (delinqüente) diz que vai quebrar a porta e as pessoas que lá estão. Começa a chutar a porta, mas não o vejo mais; não sei se é a mesma pessoa, pois está por trás da porta, mas continuo sendo ameaçado. E diante dessa ameaça é colocada uma outra barreira energética chamada resistência. Hipoteticamente dois homens fortemente armados, agora diante da resistência e do recalque, o trauma é impedido de chutar a porta, não mais ameaça rompê-la, mas burla as duas barreiras, a resistência e o recalque, através do seu grito, e continua a incomodar, só que agora em forma de disfarce. O grito do trauma é o sintoma, ou seja, sabe-se que tem alguém gritando, acha-se que é a mesma pessoa, mas para ter certeza, tem que abrir a porta (recalque), e retirar os homens armados (resistência). Quando uma pessoa, por exemplo, no caso de medo de dirigir, quando diz que sabe a causa do seu medo, é mero engano, pois quando a pessoa tem a consciência da origem do problema e resignifica, o sintoma desaparece, claro que diante de uma elaboração psicoterápica.
Aproveito a oportunidade para esclarecer que a origem de nossos problemas psíquicos, se instalam nas fases de 0 a 8 anos de idade, vida fetal, e até mesmo através de um código genético de memória, o que o Jung chamou de Inconsciente Coletivo.
CIÊNCIA:
O neurologista britânico, Oliver Sacks, hoje Professor no Albert Einstein College of Medicine, ao expor um de seus casos sobre a síndrome de Korsakov, ou seja, a dificuldade de lembrar, a existência de "abismos de amnésia", conta que naquela situação havia "alguma perda essencial e total da realidade íntima, do sentimento e do sentido, da alma", para concluir: "Sem dúvida, como disseram as irmãs, ele possuía uma alma, uma alma imortal, no sentido teológico; podia ser visto, e amado, como um indivíduo pelo Todo-Poderoso; porém, elas concordavam, algo muito perturbador acontecera com ele, com seu espírito, seu caráter, no sentido ordinário, humano". Ou ainda, diante de outro caso de síndrome de Korsakov, "pura", "não complicada por outros fatores, emocionais ou orgânicos", consultou o grande especialista da época, pioneiro nos estudos de neuropsicologia da memória, A. R. Luria, que lhe respondeu: "Não há prescrições para um caso como esse. Faça o que sua perspicácia e seu coração sugerirem. Há pouca ou nenhuma esperança de recuperar a sua memória. Mas um homem não consiste apenas em memória. Ele tem sentimento, vontade, sensibilidades, existência moral -aspectos sobre os quais a neuropsicologia não pode pronunciar-se. E é ali, além da esfera de uma psicologia impessoal, que você poderá encontrar modos de atingi-lo e mudá-lo. (...) Em termos neuropsicológicos, há pouco ou nada que você possa fazer; mas no que respeita ao indivíduo talvez você possa fazer muito". Somos, portanto, uma unidade composta de corpo e alma, que é o primeiro passo que penso deve ser dado para que os desafios da ciência médica sejam desvendados e incorporados desde que Hipócrates apresentou o conceito histórico de doença, ou seja, a descrição da evolução da doença, do primeiro sinal até o seu máximo, com a precisa expressão da antiga palavra patologia.
Este texto foi extraído do trabalho: O mistério da vida e a descoberta do código genético. de Carlos Alberto Menezes Deireito. Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Membro da Associação de Juristas Católicos.
CÓDIGO GENÉTICO DE MEMÓRIA:
Segundo essa teoria, assim como você herda um código genético de cor da pele; cor dos olhos de seus antepassados; também herda um código genético de memória, das lembranças que seus antepassados tiveram.
INCONSCIENTE COLETIVO DE JUNG: - arquétipos.
Segundo Jung, o inconsciente coletivo não deve sua existência a experiências pessoais; ele não é adquirido individualmente. Jung faz a distinção: o inconsciente pessoal é representado pelos sentimentos e idéias reprimidas, desenvolvidas durante a vida de um indivíduo. O inconsciente coletivo não se desenvolve individualmente, ele é herdado. É um conjunto de sentimentos, pensamentos e lembranças compartilhadas por toda a humanidade.
O inconsciente coletivo é um reservatório de imagens latentes, chamadas de arquétipos ou imagens primordiais, que cada pessoa herda de seus ancestrais. A pessoa não se lembra das imagens de forma consciente, porém, herda uma predisposição para reagir ao mundo da forma que seus ancestrais faziam. Sendo assim, a teoria estabelece que o ser humano nasce com muitas predisposições para pensar, entender e agir de certas formas. Por exemplo, o medo de cobras pode ser transmitido através do inconsciente coletivo, criando uma predisposição para que uma pessoa tema as cobras, no primeiro contato com uma, a pessoa pode ficar aterrorizada, sem ter tido uma experiência pessoal que causasse tal medo, e sim derivando o pavor do inconsciente coletivo. Mas nem sempre as predisposições presentes no inconsciente coletivo se manifestam tão facilmente.
Os arquétipos presentes no inconsciente coletivo são universais e idênticos em todos os indivíduos. Estes se manifestam simbolicamente em religiões, mitos, contos de fadas e fantasias. Entre os principais arquétipos estão os conceitos de nascimento, morte, sol, lua, fogo, poder e mãe. Após o nascimento, essas imagens preconcebidas são desenvolvidas e moldadas conforme as experiências do indivíduo. Por exemplo: toda criança nasce com o arquétipo da mãe, uma imagem pré-formada de uma mãe, e à medida que esta criança presencia, vê e interage com a mãe, desenvolve-se então uma imagem.
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Observação: Quero deixar claro que, em tais sintomas, muitas vezes não há um prognóstico favorável ao tratamento médico e psicológico tradicional, ficando em sua maioria sem diagnóstico, ou até mesmo diagnosticando como endógeno, ou então genético. Um exemplo é o caso da depressão endógena (sem causa aparente). Através da hipnose em regressão de memória, quando se trata de uma pessoa sensível à técnica de hipnose, e respeitando o tempo do paciente, ou seja, indo passo a passo, no ritmo que o paciente consegue dar, sempre se chega à causa. A dificuldade encontrada no tratamento médico e psicológico tradicional, em se tratando de pessoas adultas, se dá, na minha opinião, pelo fato de fazer uso da fala como fonte de investigação, e registro de anamnese das lembranças da infância, que a mesma traz consigo. Sendo assim, se um paciente adulto teve uma infância feliz, conseguirá no máximo lembrar, dos fatos vivenciados de seis anos em diante. Por outro lado, se teve uma infância hostilizada, na maioria das vezes apagam totalmente de sua memória todas estas lembranças. É muito comum no consultório, quando se pergunta sobre a infância, o paciente verbalizar, que só lembra de seus 15 anos em diante, ou de outra fase da adolescência que traz boas recordações. Já na regressão de memória o paciente traz o material de memória emergido da vida fetal, primeira infância de 0 a 8 anos, e até mesmo o material do código genético de memória citado anteriormente. Deixo para que cada um dos que lerem este tópico, tire suas próprias conclusões, sem que entre em choque de crenças.
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